Venezuela condena decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

 

Caracas, 07 Dic. AVN.- A República Bolivariana da Venezuela condenou nesta quarta-feira a decisão tomada pelo governo dos Estados Unidos (EUA) de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, país que ocupa de forma ilegal esta cidade.

O ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, exigiu "respeito às resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas)" sobre esse tema, e manifestou sua solidariedade ao povo palestino.

Em nota, a Venezuela manifestou ainda o repúdio à decisão do presidente estadunidense Donald Trump, que anunciou que seu país reconhece a cidade de Jerusalém como capital de Israel e ordenou ao Departamento de Estado para que inicie os preparativos que permitam transferir a embaixada estadunidense de Tel Aviv a Jerusalém.

Quando em 1948 foi criado o Estado de Israel, a cidade de Jerusalém, considerada sagrada tanto para muçulmanos como para judeus, foi formalmente dividida em duas. A parte ocidental ficaria sob a administração israelense, enquanto a parte oriental seria a capital do futuro Estado palestino. Mas isto nunca aconteceu devido aos sucessivos ataques do governo israelense contra a Palestina e desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a região leste.

Após esta decisão dos Estados Unidos, a comunidade internacional rechaçou reconhecer Jerusalém como capital de Israel porque considera que o tema deve ser discutido com a Palestina, en diálogos pacíficos.

Veja abaixo a nota na íntegra:

O Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, em nome do Povo e do Governo Bolivariano, manifesta seu mais firme repúdio e condenação a esta decisão arbitrária do governo estadunidense de reconhecer a Cidade de Jerusalém, ocupada ilegalmente por Israel, como capital do Estado de Israel, assim como transferir sua embaixada a esta cidade.

O Governo Bolivariano da Venezuela rechaça toda ação arbitrária, unilateral e sem consulta, que busque afiançar a presença ilegal do Estado de Israel sobre o Território Palestino Ocupado e sua anexação de fato da Cidade de Jerusalém, fatos que minam a soberania do Estado e do Povo palestino, atentam contra a paz e estabilidade da região, e influenciam de maneira trágica nos esforços internacionais pela busca de uma solução dialogada, pacífica, justa e duradoura.

A República Bolivariana da Venezuela, na Presidência do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), e como país irmão das causas justas do mundo árabe, considera este fato uma flagrante violação do Direito Internacional, e faz um chamamento ao apego à Carta das Nações Unidas, e todas aquelas resoluções do Conselho de Segurança e a Assembleia Geral das Nações Unidas que foram aprovadas a respeito, no marco dos esforços conjuntos da Comunidade Internacional em avançar rumo a uma solução dialogada e ao fim das hostilidades e atropelos contra a nação palestina.

Neste sentido, fazendo especial ênfase na resolução 2334 (2016), na qual o Conselho de Segurança assinalou "que não reconhecerá nenhuma mudança nas linhas do 4 de junho de 1967, inclusive sobre Jerusalém, que não sejam as acordadas pelas partes mediante negociações", fazendo além disso um chamado às partes "a que se abstenham de realizar atos de provocação e instigação e de fazer declarações que exaltem os ânimos, com o objetivo, entre outras coisas, distender a situação sobre o terreno, reestabelecer a confiança, demonstrando mediante polìticas e medidas um compromisso genuíno com a solução biestatal e criar as condições necessárias para promover a paz".

O Povo Bolivariano, historicamente comprometido com a justa Causa Palestina, aproveita a ocasião para reafirmar seu compromisso irrestrito com a consecução de uma solução dialogada, pacífica e duradoura ao conflito, assim como para a concretização da plena soberania e independência do irmão Estado da Palestina, reiterando sua vontade de enfrentar junto ao valente povo palestino todas aquelas ações arbitrárias e injustas, que como esta, atentam contra os Direitos Inalienáveis do povo palestino, e tão somente visam continuar semeando o caos na região do Oriente Médio.

Caracas, 06 de novembro de 2017

Foto: Protestos de palestinos no norte da Faixa de Gaza, contra a decisão de Trump / EFE

07/12/2017 - 08:18 am