Lavagem de dinheiro em rede de corrupção em Andorra foi de supostamente 4,2 bilhões de euros

Wilmer Errades, AVN

Caracas, 05 Dic. AVN.- O procurador-geral, Tareck William Saab, afirmou que a lavagem de dinheiro na rede de corrupção na Banca Privada de Andorra foi de supostamente 4,2 bilhões de euros.

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, explicou que a rede criminosa pode ter começado a operar em 2006 e, desde então, utilizou 40 empresas fantasmas.

A rede, afirmou o chefe do Ministério Púbico, utilizou as empresas fantasmas para lavar fundos provenientes da corrupção e ocultar a identidade dos beneficiários.

"Entre 2011 e 2012, somente, se lavou dinheiro por quase 1,34 bilhões de euros. Agora os relatórios de inteligência advertem que esta organização pode ter funcionado muito antes, aproximadamente desde 2006, e se estima que o montante lavado possa ser de 4,2 bihões de euros", disse.

Entre as empresas que executavam lavagem de capitais está Antigua Omega INC, que era representada por José Enrique Luongo e Diego Salazar Carreño, ambos privados de liberdade por estes fatos.

"Esta entidade recebeu transferências de outras contas da organização criminosa por um montante de 191 milhões e 208 mill dólares e transferiu quantias por 192 milhões e 758 mil dólares a uma empresa pertencente a Diego Salazar", acrescentou.

O procurador-geral explicou que tanto Luongo como Carreño pertenciam a uma organização criminosa de caráter internacional que envolve aproximadamente 40 pessoas entre funcionários da Petróleos de Venezuela (Pdvsa), empresas filiais e o Ministério do Petróleo.

"O dinheiro se alimentava de comissões pagas por empresas internacionais onde Diego Salazar aparecia como intermediário estrela, para realizar coisas tão demenciais como por exemplo fazer, em um hotel muito conhecido da França, o pagamento de uma gorgeta por 100 mil euros", disse.

Denunciou que todas as operações de lavagem de capitais foram feitas com o apoio da Banca Privada de  Andora, que, segundo ele, ajudou a “constituir estas empresas e aceitou transações sem respaldo”.

Saab explicou que o Ministério Público sustenta suas investigações sobre o caso Andorra em uma análise forense de mais de 500 páginas, e onde aparece inclusive um ex-diretor da Polícia de Baruta e de Chacao, que era o chefe de segurança de Diego Salazar.

A audiência de indiciamento de Salazar, acusado até agora de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção imprópria, acontecerá nesa quarta-feira no Tribunal Sexto de Controle de Caracas.

O procurador-geral disse que o Ministerio Público lidera uma luta frontal contra aqueles que usando recursos do Estado "ocasionaram um dano à República".

Também solicitou à Espanha a extradição do ex-vice-ministro da Energia Elétrica, Nervis Villalobos, que praticou lavagem de dinheiro em Andorra e é acusado de legitimação de capitais, formação de quadrilha e corrupção imprópria.

"Navio fantasma"

O procurador-geral também revelou detalhes de um novo caso investigado pelo Ministério Público: o aluguel por parte da Pdvsa Servicios de um navio para a exploração de jacimentos de gás, em condições desvantajosas para a República.

Chamou de "navio fantasma", e afirmou que foi contratado com características falsas por um período de sete anos, mas esteve sem operar 60% do tempo. Apesar disso, o Estado tinha de pagar altas quantias pelo contrato.

Por esta descoberta, foi ditada uma ordem de captura contra seis pessoas com alerta a Interpol. Entre eles está Rómel Valdez, presidente da Pdvsa Servicios no momento do acordo.

05/12/2017 - 01:38 pm